Eu precisava de alguém para conversar, mas me encontrei sozinha diante de tantas lágrimas e soluços. Precisava de alguém que segurasse minhas mãos tremulas e frias, e me dissesse que tudo ia acabar bem, e que como sempre eu estava sofrendo por antecipação. Eu precisava de alguém para secar o meu rosto, para me dizer que tudo era mentira e que eu estava enganada. Eu precisava tanto, mas só encontrei o chão frio sob meus pés, a casa sem vida, regada pelo som da rua.
Então, depois de sentar no chão e implorar a mãe do céu que abrandasse meu desespero, as dúvidas começaram a criar nexo, e surgiram em forma de sofrimento. Eu que sempre fui, e sempre serei, uma romântica incorrigível não vou mesmo ter o direito de ser amada verdadeiramente? Pode existir um romance baseado em arrependimentos de estar com quem você não gostaria? Estaria ele tentando se enganar todo esse tempo? Me enganar? Será que ele cumpriria a promessa de não me deixar, mesmo nas condições de sofrimento que prometeu a ela? Existe algum sofrimento nesse momento? Um dia vai existir? E no meu egoísmo eu vou aceitar tudo isso?
As perguntas continuaram, mas depois disso tentei me acalmar, deitei na cama e liguei uma música para que o silêncio não fosse tão perturbador. Tive que secar meu rosto eu mesma. Tive que conter os soluços e esconder as poucas lágrimas que teimosamente desciam entre um pensamento e outro. Tive que me apegar ao sono para fingir que essa dor nunca existiu.