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They’re throwing me in a class with a bad name

Uncategorized — Mi @ 6:04 am

“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”

Eu sou fã de programas de humor. Seja humor bobo ou com segundos significados, com a única exigência de que sejam bem bolados. É fato que hoje em dia as pessoas ligam mais a TV a fim de assistir programas de humor ácido – meu preferido, admito, programas como o Pânico na TV e CQC ultimamente tem sido a minha diversão. Tem coisa melhor do que rir dos comentários do vesgo e do sílvio sobre aquele monte de gente tosca?
Daí, esses dias o Danilo Gentili fez essa piadinha boba (sim) no twitter. Quando vi, confesso que não morri de rir, mas não vi nada demais – até notar a repercusão que a coisa tinha tomado. O La Peña, do Casseta e Planeta, aparentemente não gostou muito da piada. Até ai tudo bem, uma piada nunca é engraçada pra todo mundo, mas… Processo? Procuradoria? Racismo? Eu sinceramente nem sei o que dizer, além de que acho isso uma grande, grande idiotice, e isso não tem nada a ver com a cor da minha pele. Sou branca sim, porém nunca imaginei que isso me dava direito de sair por ai e colocar as pessoas pra baixo pelo único fato delas não serem iguais a mim. Vendo isso tudo, porém, ta me fazendo achar que esse é um conceito meio ultrapassado do racismo, mas o que quero dizer é que pra mim todo mundo é igual, somos todos uma só raça: a raça humana. Cores e formas são as poucas coisas que nos distinguem, por que usar contra nós mesmos? Uma vez vi um episódio de Padrinhos Mágicos, onde o Timmy pede aos padrinhos pra todo mundo ser igual e ele não sofrer mais bullying na escola, por conta dos dentes. Já imaginou como seria?
O que fazer então com as pessoas que chamam outros de gordos, tortos, feios? Já imaginou se o vesgo e o silvio fossem processados toda vez que chamassem alguém de “viado”? Podem fazer piadinha com um cara que mora em pelotas e chamar ele de viado, podem chamar nordestinos de cabeça-chata, podem chamar alguém de baleia, podem dizer que português é burro e podem mandar argentino tomar no cu, mas não podem chamar preto de preto. Eu sou do recife e, não sei se porque tive a sorte de conhecer as pessoas certas, especialmente os paulistas, mas nunca na vida me senti discriminada. Eu sou mal humorada por natureza e já ouvi piadinhas sim, claro, mas nunca senti que queriam me ofender de verdade. E se tivesse, garanto que não ia perder meu tempo procurando os maiores insultos e/ou a justiça pra me defender. E não adianta me dizer que brancos, loiros, doentes mentais, altos, baixos, magros, gordos, etc, “não sabem o que é ser discriminado como os negros”. As pessoas hoje em dia estão sendo educadas para serem cada dia piores, cada dia mais malvadas mesmo. Brancos podem não ter sofrido escravidão, mas experimenta ser branco e ter um nariz grande, ou uma perna maior que a outra. Experimenta ser gordo. Ah não, desculpa…
Eu me aceito pelo que eu sou, não queria ter nascido em qualquer outra parte do país, acho que não seria metade do que sou hoje e provavelmente seria um ser muito infeliz. Também gosto de ser como sou, isso me faz racista? Acho que racistas são vocês, que acham que precisam de cotas pra entrar em universidade. Vocês que saem por ai com uma camisa escrita “100% negro”. Racismo é tratar diferente de acordo com a concentração de melanina de cada um.
Por isso acredito que o preconceito ta na cabeça de cada um. Se você é negro e se aceita como tal, por que perder tempo com uma piada boba na internet? Concordo com o Danilo quando ele diz que não vê problema algum em chamar um preto de preto. Não tenho motivo algum pra apontar isso na cara de ninguém, e nem preciso. Graças a Deus, os negros que eu conheço até brincam com esse tipo de coisa. Você se ofende ao ser chamado de uma coisa que você sabe que é? Sei que depende do contexto, alguns realmente tem o cérebro do tamanho de uma ervilha e querem ofender, mas é bom prestar atenção antes de tacar pedras.  Não vou ser hipócrita e dizer que preconceito não existe, nem que existem pessoas que se sentem melhores que as outras por causa de cor. Essas coisas existem sim. Mas acredito que arrumar briga com o primeiro que fala qualquer coisa não ajuda em nada, só piora. Violência não para violência, preconceito não para preconceito. E preconceito é lamentável, mas a autodiscriminação é medíocre. Faz realmente alguma diferença entre usar o termo “negro” ao invés de “preto”? Sempre vai depender do contexto, da forma que a coisa é dita, sim. E pra mim aquilo foi uma piada. Só.

“I’ve seen the bright, get duller, i’m not going to spend my life being a color.”

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